Espaço de atividade literária pública e memória cronista

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terça-feira, 10 de setembro de 2024

FALECIMENTO DO CONSULTOR VAZ-OSÓRIO DA NÓBREGA – autor do livro “PEDRAS DE ARMAS E BRASÕES TUMULARES DO CONCELHO DE FELGUEIRAS”.

 

Faleceu hoje, 10 de setembro de 2024, o Consultor Artur Vaz-Osório da Nóbrega Ribeiro, uma das personalidades mais insignes da História recente de Lousada, que iria completar 100 anos de idade a 13 de novembro.

Consultor oficial de Heráldica e Genealogia, desenvolveu, durante várias décadas, um vasto trabalho de investigação histórica, incluindo “Pedras de Armas do Concelho de Lousada” (1959) e “A Heráldica de Família do Concelho de Lousada” (1999).

Distinguiu-se também como poeta e escritor, publicando muitos poemas e folhetins no “Jornal de Lousada”, concelho onde residiu durante muitos anos, na Casa dos Casais (Vilar do Torno), de que era senhor, sendo agraciado em 1999 com a Medalha de Prata de Mérito Municipal de Lousada.

Vai a sepultar no dia 11 de setembro, pelas 10h30, no cemitério do Bonfim, no Porto.»

(Informação noticiosa transmitida pelo amigo sr. Prof. Luís Ângelo Fernandes, historiador lousadense)

Artur Vaz-Osório da Nóbrega escreveu também o livro “PEDRAS DE ARMAS E BRASÕES TUMULARES DO CONCELHO DE FELGUEIRAS”, publicado em 1997 em edição da Câmara Municipal de Felgueiras, que incluiu algumas referências da Casa de Rande e Casa da Torre, ambas da freguesia de Rande, de material dos originais fotocopiados do meu trabalho para o livro “Memorial Histórico de Rande e Alfozes de Felgueiras”, nesse mesmo ano também publicado. Cujas páginas datilografadas entretanto haviam ficado na Câmara Municipal de Felgueiras, quando esteve em equação o patrocínio municipal para esse livro, depois ficado sem efeito no tempo da Vereação da Cultura a cargo da Dr.ª Fátima Felgueiras (e mais tarde publicado, em novembro de 1997, com patrocínio do jornal Semanário de Felgueiras).

Sobre Artur Vaz-Osório da Nóbrega é no jornal TVS acrescentado ainda: «Formado em Ciências Heráldico-Genealógicas, foi consultor oficial de Heráldica e Genealogia, desenvolvendo, durante várias décadas, um vasto trabalho de investigação histórica, com projeção em vários países europeus, Rússia e Brasil, salientando-se os levantamentos heráldico-genealógicos nos concelhos de Lousada, Felgueiras, Braga, Santo Tirso, Póvoa de Varzim, Matosinhos, Terras de Bouro, Amares, Vieira do Minho, Póvoa de Lanhoso, Barcelos e Esposende, e mais estudos ligados à heráldica, genealogia, bibliografia e documentação histórica. Publicou, nomeadamente, “Pedras de Armas do Concelho de Lousada”, “A Heráldica de Família do Concelho de Lousada”, “Valles Peixotos de Villas-Bôas da Casa de Carvalho de Arca” e “Pedras de Armas e Brasões Tumulares do Concelho de Felgueiras”, além de muitos artigos, inclusivamente no jornal TVS.»

Armando Pinto

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quarta-feira, 22 de março de 2023

Falecimento do Padre Frei João Baptista, da Ordem dos Carmelitas Calçados, da Comunidade Carmelita da Mata-Lordelo e antigo Pároco de Lordelo e Unhão, em Felgueiras

Faleceu o Frei João Baptista, Padre da Ordem dos Carmelitas Calçados, em cuja Comunidade da casa da Mata, em Lordelo, viveu alguns anos no concelho de Felgueiras, também, tendo acumulado durante esses anos a missão de Pároco de Unhão e Lordelo, na Vigararia de Felgueiras.

Falecido ao final do dia 20 deste mês de março, em Beja, onde residia no Lar do Salvador, Polo II, o Frei João do Nascimento Baptista partiu assim deste mundo com 62 anos de idade.

Entretanto esteve o seu corpo em câmara ardente na Igreja de Nossa Senhora do Monte Carmelo, Centro Paroquial e Social do Salvador, de Beja, desde o final da manhã de terça-feira; havendo ao final do mesmo dia sido celebrada Missa de Corpo presente. Tendo ficado por fim sepultado no Cemitério de Beja, após a realização das exéquias, com celebração da Eucaristia e seguinte cortejo fúnebre, já na quarta-feira, dia 22. Descansando no campo santo daquela cidade alentejana em que exerceu seu final de vida sacerdotal, em serviço comunitário de missão evangelizadora.

O Frei João era pessoa muito querida na região sul felgueirense, onde, apesar de já não viver há alguns anos perto, como quando estava na Mata, no respetivo convento de sua Ordem do Carmo, continuava a merecer grande admiração e a ter muitos amigos na área da Longra e arredores. De tal modo que nas suas antigas paróquias de Unhão e S. Cristóvão de Lordelo foi tocado o sino paroquial, no costumado toque de sino a defuntos, a dar pública notícia de sua morte, em jeito de homenagem. 

Armando Pinto

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sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Uma senhora cegonha... In memoriam de D. Maria Parteira (1920-2014) – em mais uma crónica no Semanário de Felgueiras


Há marcas do passado que nos estão sempre presentes. Como, entre algumas das vezes em que tal sucede, se nos deparou por estes dias, ao saber do desaparecimento duma pessoa que conhecemos desde criança, na Longra; e, com quem, mais tarde, até chegamos a partilhar o local de trabalho, no Centro de Saúde da Longra – ela sempre como enfermeira-parteira e aqui o autor já como funcionário administrativo, na secretaria do Posto Médico originário da Casa do Povo da Longra.


Sobre ela, a D. Maria, a propósito da notícia do seu falecimento, há uma semana, fizemos um artigo para publicação no jornal felgueirense em que colaboramos, de modo a dedicar-lhe uma mensagem de apreço e admiração, como sentimos, na verdade.

Então, desse artigo, publicado na edição desta sexta-feira, dia 14, colocamos aqui o extrato do mesmo, através de recorte digitalizado da publicação in Semanário de Felgueiras:

(CLICAR sobre o recorte, para ampliar)

Para possibilidade de melhor acesso à leitura, seguidamente colocamos o texto original:

Uma senhora cegonha... In memoriam de D. Maria Parteira (1920-2014)

Estava alinhavado já um artigo, dos que aqui vamos colocando a dar espaço evocativo sobre motivos da identidade local e memória coletiva, quando recebemos notícia do falecimento duma pessoa ainda lembrada do ambiente felgueirense de outras eras - uma senhora que em tempos idos ajudou a trazer ao mundo muitas vidas felgueirenses, enquanto os nascimentos eram em casa das jovens mães. Logo mentalmente voltamos atenções para fazer memória dessa antiga figura pública da sociedade de épocas remotas. Tal o que sempre recordamos da muito conhecida "D. Maria Parteira", como era normalmente reconhecida essa senhora enfermeira-parteira que, oriunda da parte norte da Beira Litoral, veio muito jovem para Felgueiras e por estas bandas se arreigou e fixou residência, durante muitos anos, até sua aposentação. Merecendo, por fim, como ficou, ser referenciada no livro da história da região, estando seu nome também, ao correr da narrativa historiadora, nas páginas do nosso "Memorial Histórico de Rande e Alfozes de Felgueiras".

Foi casada com o sr. Luís Lopes Martins Teixeira, que trabalhou, também durante muitos anos, na Ferfor da Serrinha; e teve quatro filhos: José Carlos, Maria Emília, Alexandre Luís e Delfim Manuel, legando apego telúrico a todos, como mulher especial na sua geração e uma pessoa fortemente marcante.


"A sua memória ficará nos nossos corações" - foi com este epitáfio que a família se despediu de sua Matriarca, natural de Souto, Vila da Feira, onde nasceu a 5 de Abril de 1920. Com efeito, D. Maria Martins de Andrade, como era o nome completo dessa senhora sempre estimada por todos que a conheceram, faleceu na passada sexta-feira, dia 7 deste Fevereiro tristonho, com quase 94 anos, na sua casa em Miramar, junto ao mar da costa territorial de Gaia, para onde se remetera em merecido descanso da labuta, depois que terminou sua carreira profissional. Havendo sido enfermeira-parteira com ação relevante em grande parte do território felgueirense, onde prestou assistência a beneficiárias de diversas áreas do concelho, quando era ainda novidade o mister de auxílio nos partos segundo normas clínicas. Chegada que foi a esta zona do interior nortenho em temporada ainda de cuidados prestados por senhoras habilidosas, de mezinhas caseiras e modos tradicionais. 

Demandara então Felgueiras nos alvores dos marcantes anos 60, vinculada à Casa do Povo da Longra, e entremeando serviço público também como professora regente na escola primária da Longra; e, mais tarde, ainda pertenceu aos quadros do Posto Médico da mesma Casa do Povo e sucessor Centro de Saúde da Longra, até aos anos 80, num longo percurso laboral e ligação local. Viveu sucessivamente em Cimalhas na Longra, depois na Casa de Minhoure em Varziela e posteriormente na sua casa da Sé, no Unhão. Tendo, de permeio, integrado algumas atividades extensivas, como foi o caso de ter andado no Grupo Cénico da Casa do Povo da Longra, representando papéis como atriz no palco de teatro da mesma instituição longrina. Tornando-se parte integrante do modus vivendi da mesma zona em que tão bem se soube inserir, apreciadora do bucolismo regional e particularidades dos sítios que se lhe passaram a ser familiares. Conforme ditava sua convivência, senhora que era de fina sensibilidade e vasta cultura, a pontos de saber apreciar nas famílias amigas e conhecidas, bem como nas casas das parturientes surgidas, quer qualquer particularidade, como por exemplo a reza diária do terço, assim como as preocupações com os ente queridos que em massa seguiam para a guerra no ultramar, mais doenças e outras maleitas da prole, tal qual usos e costumes que poderiam ter seu interesse, bem como se inteirava de tudo o que a rodeava no meio ambiente. Percorrendo toda a região no seu Citroen, um típico salta-pocinhas coevo ao tempo. Sem andar no mundo por ver os outros, mas vincando sua chancela, ao jeito de querer seguir e acompanhar tudo o que viu nascer e desenvolver-se. Acabando por representar, para as gerações que sempre a conheceram, como que uma idealização perdurável, qual, figurativamente, uma boa senhora cegonha, à imagem do que as crianças seguiam nos livros de historinhas infantis... levando no bico grandes sonhos e sensações de tempos imemoriais, dum mundo a perdurar ternamente nos arcanos da memória.

Armando Pinto

sexta-feira, 22 de março de 2013

À Memória de Sousa Pinto - no Semanário de Felgueiras

 

Ocorreu recentemente o desaparecimento deste mundo do amigo Arnaldo Sousa Pinto, popularmente também conhecido na cidade de Felgueiras por Neca. Tal ocorrência, naturalmente tornada conhecida entre a população, deu azo a que, na habitual crónica mantida no jornal Semanário de Felgueiras, lhe prestássemos um justo tributo - na medida do conhecimento granjeado na sua passagem pelas atividades da Casa do Povo da Longra, há alguns anos, aquando da gerência do autor destas linhas na presidência da mesma instituição Longrina. O que gerou amizade e admiração refletidas em mais um artigo publicista, do qual agora partilhamos aqui a respetiva coluna, do que foi publicado no mais recente número do S F, à página 12 da respetiva edição impressa, nesta sexta-feira 22 de Março.

   
 (Clicar sobre este recorte digitalizado, para ampliar) 

Do mesmo, para mais fácil leitura, colocamos o texto conforme o original: 

Pró memória: Arnaldo Sousa Pinto 

Faleceu Arnaldo Sousa Pinto, poeta e artista autodidata felgueirense, na passada terça-feira, dia 12, aos 64 anos. Homem da palavra e de bagagem cultural, calou a sua voz declamadora, vitimado por enfarte, num infausto acontecimento que se deu quando tinha em mãos uma exposição coletiva patente na Casa das Artes de Felgueiras. 

Arnaldo Manuel Baptista de Sousa Pinto nasceu em Guimarães a 25 de Junho de 1948, e, residindo em Felgueiras, entretanto, frequentou o Seminário de S. José, em Lagares; e o Seminário Santa Teresinha, em Pombeiro. Foi funcionário dos CTT e bancário na área de Lisboa, até que regressou a Felgueiras em 1986. Publicou poemas na imprensa local e está representado na Primeira Colectânea de Poetas Felgueirenses, edição de 1989 do Pelouro da Cultura da Câmara Municipal de Felgueiras; e em Com Verso Ando, Antologia Poética, publicada em 1993 numa edição do Café Belém. Foi também ensaiador e ator do Grupo de Teatro da Casa do Povo da Longra, durante algum tempo, sensivelmente nos primeiros anos 2000, até há alguns anos atrás, numa relação interessada pela cultura em geral e pela arte cénica em particular. Tendo por isso sido autor de algumas peças de teatro, uma das quais, pelo menos, chegou a ser representada em palco na Longra. Desempenhou ainda lugar de deputado à Assembleia Municipal de Felgueiras, eleito pelo PS, mas sobretudo em representação desta terra, onde ficou sepultado no cemitério municipal de Margaride. 

Desaparece assim fisicamente um cidadão ativo e muito sociável, sendo figura deveras conhecido dos meios culturais felgueirenses. Paz à sua alma. E que no Além não deixe de declamar alguns de seus belos versos, como ele tão bem sabia. Dizendo agora adeus por algumas estrofes dum poema da sua autoria: 

                                       «Partem as aves aladas 
                                       Em eternas revoadas 
                                       Procurando outros beirais!... 
                                       Mas fica meu ser aos ais, 
                                       Chorando sem parar mais 
                                       Em gotas agras, salgadas. 

                                                Partem as aves, coitadas, 
                                                Mas partem, sim, confiadas 
                                                Em voltar aos seus casais!...
                                                Só eu não sei se tu vais 
                                                Para eu te encontrar jamais 
                                                E viver horas passadas». 


 Armando Pinto