Espaço de atividade literária pública e memória cronista

sexta-feira, 18 de março de 2022

Dia de lembrar Manuel de Faria e Sousa – a propósito da data de seu nascimento

A 18 de março de 1590 nasceu Manuel de Faria e Sousa, nascido em território do atual concelho de Felgueiras, mais propriamente em Pombeiro, que em tempos idos teve estatuto de Couto, desde o tempo de D. Teresa, mãe do rei fundador da Nação Portuguesa.

Esse então fidalgo D. Manuel Faria e Sousa foi ao tempo de sua existência um ilustre historiador e poeta português, falecido em 1649. Havendo durante muito tempo sido considerado em menor apreço, com respeito atinente aos valores da Pátria, por ter sido afeto ao “estrangeiro” reinado Filipino, em cuja Corte espanhola viveu, durante a perda da independência de Portugal.

Entretanto, era tido como um dos homens mais eruditos de seu século, gozando de alta reputação literária em seu tempo. Sendo grande autoridade e conhecedor profundo de Camões. Apesar de escrever quase tudo em castelhano, escreveu parte de sua obra em relação a temas de Portugal. Isso porque durante a maior parte de sua vida o território de Portugal fez parte do Reino de Espanha, e a língua do castelhano estava muito mais estendida na Europa do que a portuguesa. Em ideia de assim dar a conhecer as façanhas dos portugueses, e inclusive o grande trabalho de “seu poeta Camões”, entendendo que era a melhor solução. Suas obras, junto como sua própria poesia, gira quase em torno dos descobrimentos portugueses e da figura de Camões. A ele se deve o primeiro estudo que descreve a vida e obra do poeta d’ “Os Lusíadas”.

Foi já em finais do século XX dado seu nome à Escola Preparatória de Felgueiras. E extensivamente, a rua em que está instalada a mesma recebeu mais tarde também seu nome.

Evocando sua figura e em alusão ao tema, recorda-se algo mais sobre o mesmo, através de literatura distribuída precisamente pela referida Escola Preparatória (vulgarmente conhecida por “Ciclo”) de Felgueiras, do tempo em que os filhos do autor foram alunos desse estabelecimento de ensino felgueirense. Reportando à época da comemoração do 4º centenário de seu nascimento, em 1992.


Armando Pinto

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domingo, 13 de março de 2022

Espreitando memórias locais: Uma célebre comemoração do Dia da Mulher na Longra

 

Como por este fim de semana de meio de março têm lugar algumas comemorações relacionadas com o Dia da Mulher, aproveitando mais tempo para folias em virtude do próprio dia ter sido durante a semana, como se sabe, vem a propósito recordar uma das ocasiões que ficaram nas lembranças da memória local. Como foi um célebre Jantar das Mulheres na Longra, em março de 2005, que meteu várias centenas de aderentes, da região da Longra e mesmo de diversas mais freguesias do concelho de Felgueiras e de concelhos vizinhos. Festa feminina essa que como tal teve até lugar de notícia num dos jornais de Felgueiras, no caso o Semanário de Felgueiras, pela repercussão havida. Do qual, como e apenas enquanto espreitadela à história, se relembra o facto através de recorte da mesma nota noticiosa.

Armando Pinto

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sexta-feira, 11 de março de 2022

Retalhos memorandos de outros tempos: Um antigo pároco de Airães-Felgueiras (P.e Crispim Gomes Leite) que chegou a Presidente da Câmara de Gondomar

Entre curiosidades de memórias paroquiais (além das famosas de 1758, do inquérito eclesiástico seguinte ao terramoto de 1755), e mesmo outras que constam de livros de Visitas e mais testemunhos de tempos idos, ainda existentes em arquivos das paróquias ou concelhios, também já do século XX há algumas curiosas, dignas de serem avivadas. Como, por exemplo, quando se pode saber de sacerdotes que passaram cá pelo território concelhio de Felgueiras e depois desempenharam cargos de alguma relevância noutros locais, de permeio com suas funções noutras terras para onde foram em função de seu ministério eclesial, acumulando missão de cidadania também. Tal o caso de um antigo pároco de Airães: o Padre Crispim Gomes Leite.

Natural de Mosteirô (Feira), onde nasceu em 20 de março de 1889, Crispim Gomes Leite foi ordenado presbítero em 1911. Tendo depois em seus primeiros exercícios de paroquialidade, nos inícios do século XX, passado por Fornos (Feira), Bonfim (Porto), Airães (Felgueiras) e Espinho, até ter chegado a S. Cosme-Gondomar. Seguindo-se regresso à Feira e novas experiências pastorais, nas Antas (Porto), Ovar, Sé e Recolhimento de Nossa Senhora das Dores e de S. José do Postigo do Sol, no Porto. Até que, por fim, 17 anos depois retornou a Gondomar, em 1955. Com a curiosidade de nos dois períodos em que esteve fixado no concelho do Monte Crasto foi por três vezes Presidente da Câmara Municipal de Gondomar, em mandatos de 1931-1932, 1934-1937 e 1959-1965. Tornando-se figura popular, bem como ativo político desse tempo, tendo falecido, aos 76 anos, a 27 de outubro de 1965, enquanto exercia funções de presidente.

Armando Pinto

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quinta-feira, 10 de março de 2022

Temas de outrora e de vez em quando: “O Livro do Doutor Assis” – sobre o antigo Conde de Felgueiras

 

Alberto Costa (Alberto António da Silva Costa), mais conhecido por Pad’Zé, era um estudante da universidade de Coimbra, pelos idos finais do século XIX, a entrar pelo século XX dentro. Jovem Beirão bem vivido, como se diz, amante da vida boémia, à maneira desse tempo entre moços académicos. E que ia escrevendo umas coisas. Até que, entre suas publicações, escreveu um livro… “O Livro do Doutor Assis” que o celebrizou. Livro esse em que «o protagonista da obra é o “original catedrático” António de Assis Teixeira de Magalhães, ao tempo regente das cadeiras de Direito Civil, Direito Eclesiástico e Finanças…” » que ele caricaturou, em sua maneira crítica de estudante perante um Lente… a criticar o ensino desse tempo, através de ironia, em «charadas atribuídas ao mestre de Direito, um símbolo do magister dixit …»

Pois o Doutor Assis era o Conde de Felgueiras, cuja honraria essa lhe foi atribuída entretanto por título nobiliárquico criado pelo Rei D. Carlos I de Portugal, por Decreto de 3 de Agosto de 1907, em favor do mesmo António de Assis Teixeira de Magalhães, natural de Margaride-Felgueiras. Que, além de sua residência em Coimbra, teve casa na mesma então vila de Felgueiras, num solar que desapareceu ainda há poucos anos.

Ora tal livro, que teve muitas edições ao longo dos anos, é um dos livros que integra também a coleção de livros contendo temas relacionados com Felgueiras, enquanto um exemplar da sua 4ª edição, de 1906, é um dos livros da biblioteca particular do autor destas anotações. Sendo também um livro de interesse felgueirense.

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Ah, além da mansão familiar, de permeio o 1º Conde de Felgueiras, Dr. Assis Teixeira, também passou a ter um mausoléu de família no cemitério local. A propósito do qual o narrador Alberto Costa, o tal Pad’Zé, também escreveu. Como se pode ler numa das suas “tiradas” (que se transcreve, respeitando a grafia da época):

«O Doutor Assis mandou construir em Felgueiras um jazigo de família; e nas primeiras férias, aproveitou o ensejo de ir com os seus verificar a perfeição da obra.

Examinada esta, o Mestre declarou-se cabalmente satisfeito com a execução aprimorada do canteiro; e logo, voltando-se para a família e batendo com a mão na parede da capella, observou, com um orgulho de proprietário:

 – Pois é verdade, meninos. É aqui que havemos de vir parar – se Deus nos dér vida e saúde!»

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Professor Dr. António de Assis Teixeira de Magalhães, Conde de Felgueiras

Data de nascimento:
Local de nascimento:Felgueiras, Margaride (Santa Eulália), Portugal
Falecimento:19 Abril 1914 (63)
Coimbra, Portugal

Armando Pinto

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terça-feira, 8 de março de 2022

Em Dia da Mulher - Homenagem às Mulheres de Felgueiras !

 

Estando em dia, neste 8 de março, o dia dedicado às mulheres, e como noutras oportunidades já neste espaço de memória felgueirense foram referenciadas algumas mulheres que ao longo dos tempos se distinguiram de diversos modos, desta vez calha bem recordar o caso de quando as mulheres também começaram a ir à bola, como por cá se dizia de ir ao futebol, publicamente. 

Ora, nesta era em que o atual Futebol Clube Felgueiras 1932, clube mais representativo do concelho de Felgueiras, está na Liga 3 Nacional e a disputar atualmente um lugar de acesso ao Campeonato Nacional da Liga 2, estando então em Seniores numa boa posição, calha desta vez fazer uma rememoração por tempos da anterior existência do histórico Futebol Clube de Felgueiras, num tempo em que as mulheres não iam ainda muito ao futebol e então marcaram presença, a causar sensação boa na ocasião da subida de Divisão da 2ª à 1ª Distrital, no culminar da época de 1965/1966.

Vem agora isso mesmo a propósito, de tal curiosidade com a atualidade. Sendo de evocar que por esses tempos dos românticos anos sessenta e inclusive até sensivelmente ao 25 de Abril, de 1974, não era habitual as mulheres em Felgueiras irem ao café, melhor dizendo a locais públicos como aos cafés, e extensivamente, com raras exceções, também ao campo de futebol.

Ora, isto de se ser estudioso de história local tem destas coisas… Então não é que, há tempos, ao folhear um jornal antigo da imprensa regional felgueirense, procurando mais documentos jornalísticos, me deparei com uma imagem que despertou a atenção, fazendo recordar algo que lembro ainda de tempos de adolescência (exprimindo na primeira pessoa), e agora seduz pela ternura da inerente amplitude?! Pois é, tal o caso duma captação ao tempo feita por um jornal desportivo nacional, aquando da segunda subida de divisão e extensiva conquista do título distrital da Associação de Futebol do Porto, pelo Futebol Clube de Felgueiras, a meio da década de sessenta. Tendo então saído essa foto no jornal portuense “O Norte Desportivo” (que tinha tiragem ao domingo à noite e à quinta feira, indo para o prelo ao fim da tarde dos domingos para noticiar os resultados do fim de semana e depois a meio de cada semana, apenas), e, por isso (como vinha sempre na camioneta duma empresa de camionagem felgueirense, com garagem no Porto também; e era vendido num dos cafés centrais de Felgueiras), na distribuição à noite do domingo em que o Felgueiras voltara a subir de divisão, ao tempo de Caiçara e Cª, ainda apanhou a festa que andava pela rua na vila de Felgueiras dessa era. Fotografia essa que, dias depois, o jornal Notícias de Felgueiras reproduziu na sua edição semanal respetiva. Completando ramalhete com um dito de que nem as mulheres ficaram em casa… o que diz tudo.

Assim sendo, eis aqui  o recorte da 1ª página do Notícias de Felgueiras dessa época. Que se recorda, homenageando as Mulheres de Felgueiras, de sempre.


Armando Pinto

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segunda-feira, 7 de março de 2022

Felgueirense Virgílio Ferreira: Medalha de Ouro no Campeonato Regional de Boccia Zona Norte Bc3

Este Domingo, dia 6 de março, o felgueirense Virgílio Ferreira, atleta da Secção de Desporto Adaptado do Futebol Clube do Porto, na modalidade de Boccia, sagrou-se Campeão Regional da sua especialidade desportiva, tendo alcançado a Medalha de Ouro no Campeonato Regional de Boccia Zona Norte Bc3.

Então, após dois anos de dedicação a este desporto, viu recompensado seu esforço. Como o próprio afirma na sua página de facebook: «Durante dois extensos anos foram muitas as horas dedicadas a esta paixão. Hoje foi dia de recompensa.»

Virgílio Ferreira, além do bom gosto de ser Portista, a demonstrar ótimo caráter telúrico, bem quão nos honra como conterrâneo concelhio, muito orgulha aqui o pessoal Ego Felgariano como cidadão e munícipe felgueirense. Sendo de acrescentar, como curiosidade, que o mesmo desportista Virgílio Ferreira é Vereador do atual Executivo da Câmara Municipal de Felgueiras, com os Pelouros de Cidadania Inclusiva, Acessibilidade e Provedoria e Defesa do Consumidor.

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Nesta prova do Regional Norte de Boccia, realizado no Alto Minho, mais precisamente em Barcelos, o FC Porto arrecadou 3 medalhas, sendo uma de ouro, uma de prata e outra de bronze, havendo participado com 5 atletas, dos quais 3 chegaram à disputa dos lugares de pódio. Com a medalha de ouro a ser conquistada por Virgílio Ferreira.

Para memória, fica o registo inserto na página informática oficial do FC Porto, em fcporto.pt:

«Este fim de semana, em Barcelos, marcou o regresso às competições regionais de Boccia em Portugal após uma paragem de praticamente 2 anos. A equipa do FC Porto da classe BC3 fez-se representar por 5 atletas juntamente com os seus operadores de calha.

Na 1.ª divisão, Tiago Tavares, acompanhado por Nuno Mesquita conseguiu um honroso 6.º lugar. Na 2.ª divisão, Rui Ribeiro e Alice Moreira, acompanhados por Hugo Ferreira e Ezequiel Moreira, ultrapassaram a fase de grupos, tendo marcado encontro no jogo pela luta entre o 3.º e 4.º lugar. Rui Ribeiro levou a medalha (de bronze) para casa. Na 3.ª divisão, participaram dois estreantes pelo FC Porto numa prova de nível regional. Virgílio Ferreira e Diogo Castro, acompanhados por Elisabete Ribeiro e Rui Castro, venceram todos os jogos da fase de grupos, bem como as meias-finais, encontrando-se por último no jogo de luta pelo lugar mais alto do pódio. Nesta final, Virgílio Ferreira levou a melhor sobre o companheiro de equipa.»

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Parabéns ao Campeão Portista e Felgueirense!

Armando Pinto

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domingo, 6 de março de 2022

Temas de outrora e de vez em quando: Felgueiras em “Norte Revista” de 1983…

 

Tal como hoje é algo raro já o conhecimento e posse da antiga revista “Terras de Portugal”, em que Felgueiras teve lugar com interessante reportagem em 1963, também assim acontece com outra publicação do género publicada vinte anos depois e na qual Felgueiras também teve direito a divulgação importante, como foi o caso da “Norte Revista”.

Com efeito, assim como ainda durante os românticos anos 60 houve aquela revista icónica da época, sobre “Terras de Portugal” conforme seu nome e alinhamento, entre publicações que marcaram esses tempos; volvidos anos em 1983 apareceu uma outra, a “Norte revista”, até de maior formato e mais cingida ao Norte do país, ainda a registar a evolução das terras nortenhas. Descrevendo genericamente os concelhos e também enfatizando as cabeças de concelho, mais as vilas de cada qual, como à época eram ainda os dois centros urbanos do território felgueirense. Sendo que assim e então, em 1983 Felgueiras teve a honra de fazer parte do seu 1º número, junto com a Maia (além de outros assuntos e temas diversos, sem relação aos dois concelhos visados), nessa mesma revista – conforme destaque na capa e desenvolvimento no interior, que aqui se relembra e reproduz.

Pois então Felgueiras teve lugar de destaque nessa revista, através de diversos motes. Ficando nessas páginas registada a situação local nessa era dos idílicos tempos da década de oitenta, do século XX – como se pode ver por captação fotográfica de algumas páginas dessa revista, integrante da coleção do autor destas lembranças.

Armando Pinto

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