Espaço de atividade literária pública e memória cronista

domingo, 14 de março de 2021

Foto com História - Páscoa em Rande /1916

 


Páscoa em Rande – 1916: - Compasso Pascal na visita à Casa de Rande, da freguesia do mesmo nome. Com a Banda de Música de Felgueiras no terreiro fronteiro ao solar, a acompanhar o Compasso Pascal, em 1916 (como era costume nesse tempo, em respeito ao Conselheiro de Rande) - foto constante do livro "Memorial Histórico de Rande e Alfozes de Felgueiras", publicado em 1997. E datada em cima assim: Paschoa - 23 - IV – 1916 (conforme constava no álbum da casa, feito pelo Conselheiro Dr. António Barbosa Mendonça). 

Era Pároco de Rande, à época, o Padre Augusto Correia - conforme está também historiado no referido livro Memorial da região. 

Nessa época estava já retomada a tradição do Compasso, que esteve interrompida a partir de 1911, após a lei da separação da Igreja e do Estado, e que em Felgueiras teve também contornos impopulares, inclusive com afastamento e prisão de alguns padres da região, enquanto outros se mantiveram nas paróquias, conforme está registado no jornal Vida Nova, do Padre Albino Magalhães (do Unhão, mas que à época residia na Aparecida, onde teve uma das sedes do jornal).

A “Banda do Aniceto”, como era popularmente conhecida a Banda de Felgueiras (que o povo dizia do “senhor Anicetrinho”) era para o efeito “rogada” pelo Conselheiro de Rande, que  pagava a vinda da mesma Filarmónica para acompanhamento do Compasso durante o dia na freguesia. Porém esse compromisso dos músicos chegou a ser mesmo por respeito ao Conselheiro, incluindo casos em que havia outros compromissos mas nunca faltavam a vir a Rande, ainda que por vezes com menos elementos, sem deixar de cumprir com o Dr. Barbosa Mendonça de Rande.

Armando Pinto

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sexta-feira, 12 de março de 2021

Recordando Personalidades da Região da Longra: – Padre Joaquim Barroso, um simpático sacerdote de memórias anciãs…

Um destes dias, correspondendo a pedido de um amigo historiador dum concelho vizinho, pedindo informações sobre um antigo sacerdote que foi pároco duma freguesia aqui desta região, conhecida à distância como da Longra, e tendo podido corresponder com algo a jeito através duma pagela guardada há uns anos, isso fez lembrar quão interessante será recordar aqui o mesmo – o Padre Joaquim Nunes Barroso. O tão estimado “Padre velhinho da Pedreira”, como era carinhosamente referido popularmente em seus últimos anos da longa vida, que passou pelo apreço de muitas gerações desta área geográfica.  

Natural de Modelos (concelho de Paços de Ferreira), onde nasceu a 23 de março de 1890, passou enquanto jovem por diversas paróquias (Esmoriz, Valbom-Gondomar, Real-Vila Meã/Amarante, S. Martinho de Recezinhos-Penafiel), até ter passado também de modo marcante pelo concelho de Lousada, como pároco da Aparecida (S. Fins do Torno), antes de vir para a Pedreira (Felgueiras). Sendo falado entre seus contemporâneos que, em sinal de como era apreciado na Cúria Diocesana, teve percurso de vontade comum dele e de seu Prelado, o Bispo do Porto da época, o lousadense D. António de Castro Meireles, que lhe deu a escolher a paróquia aquando duma visita pastoral à região.

Ora o senhor Padre Joaquim Barroso, tão conhecido e acarinhado de quem o conheceu, ele que viveu até idade avançada, naturalmente já não é do conhecimento dos mais jovens. Sendo como tal pertinente evocar sua marcante passagem pelo concelho de Felgueiras, tendo sido pároco da Pedreira desde 1940 até à sua morte, com quase 92 anos, em 1982 (falecido a 1 de janeiro desse ano); além de, ao mesmo tempo, também ter sido pároco de Airães entre 1941 a 1950. Conforme se comprova pelo que ficou impresso na pagela distribuída aquando de seu funeral. 

Ficou na memória geral o quanto ele prezava cumprir todas as cerimónias e ritos tradicionais, mesmo já quase sem poder, tendo sido dos párocos da região que foram sempre, sem nunca faltar, à peregrinação concelhia da Imaculada Conceição, ao Monte de Santa Quitéria, incluindo quando num ano houve uma espécie de tentativa de acabar com a mesma peregrinação, e então ele foi dos poucos que fez finca-pé mantendo sua presença. Bem como fez questão de presidir ao Compasso na Pedreira todos os anos, mesmo já quando ancião, autenticamente, chegando a ser levado quase ao colo pelos membros da Visita Pascal que o acompanhavam, em sítios de mais difícil acesso. Como faz parte das recordações aqui do autor destas linhas… Pois no ano em que fui paroquiano da Pedreira ele foi com o Compasso a minha casa, já quase à noite desse dia de Páscoa.

Desse tempo guardo ainda, com gosto, algo que tem sua assinatura. Sim, porque durante alguns meses, em 1978, também residi na paróquia e freguesia de Santa Marinha da Pedreira, motivo porque tenho um cartão escrito por ele aquando do batizado de meu filho, feito em S. Tiago de Rande. Devidamente timbrado com o carimbo branco da paróquia respetiva (como se consegue vislumbrar, dentro do possível, ampliando a parte da assinatura).


Sobre o Padre Barroso já em tempos escrevi um artigo que foi publicado no Semanário de Felgueiras há alguns anos, cuja crónica será também motivo para outro artigo destes aqui neste espaço de memorização.

Armando Pinto

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quinta-feira, 11 de março de 2021

(Mais) Uma notícia e Achegas à questão das Freguesias…

No Jornal de Notícias, edição de quinta-feira dia 11 de março (curiosamente data por acaso com história na História portuguesa), é dada alguma atenção ao tema que tem estado esquecido de muitos responsáveis – sobre o caso da maior barbaridade acontecida em pleno século XXI, perante a extinção de freguesias históricas, com muitos séculos de existência, apenas por interesses particulares dos que em 2012 e 2013 tinham responsabilidades governamentais e autárquicas concelhias / locais e foram culpados. Com a cumplicidade de governantes nacionais e autarcas atuais, que não têm feito tudo o que pode levar à reparação do (s) erro (s).

Espera-se que ainda haja bom senso e interesses particulares e políticos se não sobreponham aos comunitários.


Armando Pinto

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segunda-feira, 8 de março de 2021

No Dia Internacional da Mulher: (Mais) Uma evocação de Guilhermina Mendonça, a popular "Menina de Rande"

No dia em que se assinala o Dia Internacional da Mulher, tendo nos sentimentos as nossas mulheres, mas olhando ao sentido do historicismo que norteia este espaço, é ocasião de uma visão por alguém que toca muito nossa sensibilidade. Num tema que será abrangente. Porque pessoalmente tenho as minhas mulheres sempre presentes, sendo a minha mãe e a minha avozinha Júlia constantes recordações saudosas, e a minha esposa e a minha filha partes de meu ser ainda físico, desta feita espraia-se a evocação por alguém que nem chegou a ser conhecida das gerações atuais, mas faz parte das afinidades da memória coletiva.

Então, em mais um exercício de memória, evocamos aqui e agora, nesta data, a figura terna e admirada popularmente da “Menina de Rande”, como sempre e para sempre é conhecida Maria Guilhermina Mendonça.  Uma Mulher que muito viveu em prol dos outros e morreu com aura santificada. 

Era a Menina Guilhermina filha do Conselheiro de Rande, o Dr. António de Barbosa Mendonça, famoso político local de seu tempo e homem de letras, além de muito respeitado cidadão, um dos obreiros da chegada do antigo Comboio do Vale do Sousa às terras felgueirenses, com estações na Longra, Felgueiras e Lixa, dentro do território concelhio, dessa Linha Férrea de Penafiel à Lixa e Entre os Rios; além de ter doado terrenos seus para a sede da antiga Associação Pró-Longra e posterior Casa do Povo da Longra; mais para a primeira cabine elétrica da Longra; bem como foi Presidente de Câmara do antigo e efémero concelho de Barrosas e depois da Câmara Municipal de Felgueiras; e ainda mais ficou celebrizado como proprietário principal e diretor do jornal Semana de Felgueiras e dos jornais Povo da Longra e Defeza da Longra. Em cujo ambiente a filha era uma pessoa do povo de Rande e região envolvente, a ponto de quando faleceu, muito jovem ainda, ter logo sobrevivido com autêntica auréola na devoção popular.

Recorde-se que Maria Guilhermina de Barbosa Mendonça nasceu a 16 de Outubro de 1889, na Casa de Rande, da freguesia do mesmo nome, e morreu em 2 de Setembro de 1912, sendo sepultada em jazigo de sua família, no cemitério paroquial de Rande, concelho de Felgueiras. 

Em homenagem a essa Mulher de nossa devota admiração, recordamos o que sobre ela deixamos no livro "Memorial Histórico de Rande e Alfozes de Felgueiras", publicado em 1997.

  

 
   

Armando Pinto

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quinta-feira, 4 de março de 2021

(Mais) Um exercício de memória: tempos inesquecíveis do Centro de Saúde da Longra

Apenas como remembranças, por entre episódios dos muitos anos de trabalho no antigo Posto Médico da Casa do Povo da Longra e sucessor Centro de Saúde da Longra, ficaram algumas fotografias a fazer parte do álbum pessoal. Como no caso de convívios, com sucessivas gerações de funcionários administrativos, auxiliares, pessoal médico e de enfermagem. Tal o exemplo da visualização que se recorda, sem outras caras (senão teriam de ser muitas fotos), mas tomando a parte pelo todo.

Armando Pinto

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segunda-feira, 1 de março de 2021

Navegador Nicolau Coelho, um dos personagens da estatuária do Padrão dos Descobrimentos em Lisboa

Devido à recente celeuma, perpetrada por um deputado político contrário à memória nacional, como é do conhecimento da opinião pública, veio à baila a existência do monumental Padrão dos Descobrimentos, que se ergue em Lisboa junto ao Tejo, diante do conjunto da zona de Belém e em frente ao mosteiro dos Jerónimos. Ora, por via disso, diversos textos têm trazido a público também assuntos relacionados. Vindo assim a calhar reproduzir matéria de interesse felgueirense, também.

Armando Pinto

= Posto isto, eis o que apraz partilhar - da página "Nova Portugalidade":



« Os Rostos do Padrão – Nicolau Coelho

Nicolau Coelho nasceu por volta de 1460, provavelmente em Felgueiras, filho de Pedro Coelho e de sua mulher Luísa de Góis. Muito pouco é conhecido relativamente aos seus primeiros anos.

Dotado de grande bravura e com experiência na navegação, Nicolau Coelho acompanharia Vasco da Gama, em 1497, na viagem em que seria descoberto o caminho marítimo para a Índia. A seu cargo estava o comando da caravela Bérrio, pilotada por Pêro Escobar, o mais leve e rápido navio da frota.

Foi o primeiro dos capitães da Armada a alcançar Moçambique, estabelecendo o contacto inicial com o Sultão de Quíloa. No regresso a Portugal, a Bérrio seria a primeira embarcação a chegar a Lisboa, entrando no Tejo a 10 de julho de 1499. Nicolau Coelho seria assim o capitão com a honra de dar a feliz notícia ao Rei D. Manuel I, que o recebeu com grande pompa e circunstância, cumulando-o de honras. Em carta régia de 24 de fevereiro de 1500, conceder-lhe-ia uma vasta tença anual de 50 000 reais e algumas propriedades. Nicolau Coelho dotar-se-ia ainda de um novo brasão de armas e seria feito Cavaleiro da Casa Real.

A 9 de março de 1500, Coelho acompanharia Pedro Álvares Cabral na nova Armada que rumava à Índia e que acabaria por descobrir o Brasil, capitaneando uma das naus da frota de 13 navios. De acordo com o relato redigido por Pero Vaz de Caminha, Nicolau Coelho desembarcou no Brasil no primeiro batel, estabelecendo contacto com os habitantes e participando na primeira visita realizada pelos indígenas à nau capitânia.

Após retornar a Lisboa, Nicolau Coelho tornaria a deixar Portugal a 14 de abril de 1503 como capitão da nau Faial, integrada na nova Armada liderada por Afonso de Albuquerque.

Nicolau Coelho viria a falecer na viagem de regresso a Portugal, em janeiro de 1504, juntamente com Francisco de Albuquerque, primo de Afonso, quando a nau Faial naufragou devido a uma tempestade perto das águas rasas de São Lázaro, atual Ilha das Quirimbas, em Moçambique.

A bravura que demonstrou em todas as suas viagens fez com que a sua figura se encontre representada no Lado Nascente do Padrão dos Descobrimentos.

Miguel Louro »

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domingo, 28 de fevereiro de 2021

(Mais) Um Exercício de memória… de tempos idos.

Para quem conheceu estes jovens, pelos idos tempos de 1968, mais das relações de amizade, companheirismo e conhecimentos entre a Longra e extensiva Paróquia de Rande (Felgueiras), mais Gondomar, Amial (Porto), etc.

Foi num tempo em que ainda os postes da iluminação pública da Longra eram em ferro (de barras maciças de secção transversal em “U”) com os ferros saídos dos trilhos do comboio que passou e teve uma estação na Longra, da histórica linha férrea do Vale do Sousa (de Penafiel à Lixa e Entre os Rios).

Alvíssaras a quem tiver memória fotográfica…!

Armando Pinto

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