sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

O senhor Machado… da Loja do senhor Machado!

As terras associadas à Longra, desde a antiga povoação da Longra e extensivamente a freguesia de Rande e outras envolventes, agora integradas na área da atual Vila da Longra, não tiveram em tempos idos quem registasse suas memórias, durante largos lustros e até perto dos finais do século XX. Podendo-se dizer que sofreram como vítimas da perda da memória dos tempos. Tendo sido deveras marginalizadas na literatura felgueirense de tempos ainda não muito distantes, incluindo até jornais na maioria dos casos. Originando que, como refiro no livro historiador da região, me tivesse metido, já lá vão uns anos bons, por meio de pesquisas aprofundadas de anos, a tentar recuperar algum do tesouro da nossa história local e regional. O que, por motivos conhecidos, levou muitos anos a conseguir chegar a público, por faltas de patrocínio (até que apareceu um, graças ao Dr. Manuel Faria para a edição por meio do Semanário de Felgueiras) para a devida publicação de tal obra naturalmente cara, monetariamente. Que como tal ainda ficou incompleta, com muito material de fora, para não encarecer mais a publicação desse trabalho, concluído em setecentas e tal páginas impressas. Levando isso a que, por vezes, alguns desses temas andem aqui por este blogue. Pois, do que depender de mim, prosseguirei com a preservação de tudo e mais alguma coisa relacionada com a história local, tentando contá-la, lembrá-la, até ao meu último suspiro. Não só como apaixonado pela minha e nossa terra, mas também pela sensibilidade que estas coisas devem merecer, para não ficarem esquecidas. Coisas e loisas, mas também pessoas, quer salientes por sua participação social, em atividades de cidadania, quer normais mas com carisma na convivência e popularidade.

Ora, além das narrativas historiadoras, diversas pessoas constaram e estão mencionadas no livro referido, o “Memorial Histórico de Rande e Alfozes de Felgueiras”, publicado em 1997 e entretanto esgotado, apesar de a tiragem ter sido de 1.000 exemplares, mais que o costume para livros do género (enquanto em Felgueiras, por exemplo, qualquer livro por norma não costuma ultrapassar entre 200 a 300 exemplares). Personalidades essas que umas estão biografadas e outras referidas em diversos locais do livro. Como no caso desta vez aqui merecedor de ser relembrado - o senhor Fernando Machado, que teve um histórico estabelecimento comercial de venda de produtos diversos. Uma daquelas lojas, como eram conhecidas, e como tal também popularizadas como “vendas”. Tendo ele sido então conhecido desde sempre por senhor “Machado da Loja” e a sua “venda” conhecida por “Loja do senhor Machado”.  

= Imagens da loja de venda diversificada do senhor Machado, na Longra, que em tempos também serviu de taberna, mas por fim, com o último “vendeiro”, o sr. Fernando Machado, se dedicou à especialidade de mercearia (Fotos do livro “Memorial Histórico de Rande e Alfozes de Felgueiras”, publicado em 1997).

Pois o senhor Fernando de Sousa Machado foi alguém que efetivamente ficou ligado à história da Longra e da freguesia de Rande, onde nasceu e viveu, apesar de depois haver saído da região para ter ido viver para S. Miguel de Lousada. Primeiro por ter feito parte da primeira equipa de futebol de que há memória ter havido na Longra, o FC Pró-Longra, com campo de jogos inaugurado em 1932, como faz parte da história também do FC Felgueiras por a equipa do Felgueiras ter participado na inauguração desse campo do Longra, assim como o Longra participou na inauguração do campo do Felgueiras. Como consta do livro “Futebol de Felgueiras - Nas Fintas do Tempo 1932/2007”, quanto aos recintos; assim como no referido “Memorial…”, na respetiva parte do FC Longra, em modo desenvolvido na narrativa dos componentes da equipa e outros pormenores. Depois por ter sido um dos primeiros empregados da fábrica original do sr. Américo Martins (tanto que havia uma foto com os operários sentados no muro do barracão da fábrica do Largo da Longra, todos com suas gorras e chapéus, cujo paradeiro da foto se perdeu…), assim como, mais tarde, foi com ele como sócio do sr. Luís Sousa que começou a indústria da fábrica Móveis Longra, dos começos da IMO, como está anotado no livro “Luís de Sousa Gonçalves-o Senhor Sousa da Imo”. Bem como, de permeio, fez parte de um mandato dos órgãos diretivos da Casa do Povo da Longra, como secretário. E, entretanto, por ter integrado durante alguns anos a Comissão Fabriqueira da Paróquia de S. Tiago de Rande. Assim como foi figura pública com a sua loja, que foi ícone do comércio tradicional da Longra e do concelho de Felgueiras. Ah, e ainda, como pessoa muito sociável e bom conversador, com sua clientela mas também com amigos com quem convivia na Longra, onde passava a maior parte de seu tempo, mesmo depois de ter ficado a residir mais longe.

Fica assim aqui rendida lembrança a mais um senhor de respeito da Longra, de tempos idos. Porque, neste caso, como no livro a sua ação conhecida foi e está desenvolvida por partes diversas dos capítulos respeitantes aos respetivos assuntos, justo é avivar sua memória com a junção de tudo, como que a fazer lembrar como na Longra de outras eras também houve assim gente com capacidades diversificadas.

Armando Pinto

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